Dia: 11 de Agosto, 2026

Entre o visível e o imaginado

O traço, ora contido, ora expansivo, constrói um léxico visual onde coexistem relações humanas, ecos de rituais e fragmentos de um passado que se infiltra no presente. As plantas que emergem nos desenhos não são apenas elementos naturais, mas vestígios simbólicos — organismos de memória que ligam diferentes temporalidades.
Há, neste trabalho, uma dimensão ritual que se revela tanto na repetição como na variação. Cada desenho é um gesto que se inscreve numa prática, num fazer contínuo que evoca tanto a tradição quanto a reinvenção. O presente é aqui convocado não como um ponto fixo, mas como um campo em permanente construção, onde o passado ressoa e se transforma.
Ao percorrer esta série, somos convidados a desacelerar, a entrar num tempo outro — mais atento, mais sensível ao detalhe e à nuance. Trata-se de um espaço de encontro, onde todos cabemos: onde a narrativa não é imposta, mas sugerida, aberta à interpretação e à experiência individual. O trabalho sobre presença — sobre o corpo que desenha, o gesto que persiste e o olhar que, ao acompanhar esse movimento, também se transforma.
Engrácia Cardoso, Lisboa, 13 de Abril de 2026

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