Autor: xana

Entre o visível e o imaginado

O traço, ora contido, ora expansivo, constrói um léxico visual onde coexistem relações humanas, ecos de rituais e fragmentos de um passado que se infiltra no presente. As plantas que emergem nos desenhos não são apenas elementos naturais, mas vestígios simbólicos — organismos de memória que ligam diferentes temporalidades.
Há, neste trabalho, uma dimensão ritual que se revela tanto na repetição como na variação. Cada desenho é um gesto que se inscreve numa prática, num fazer contínuo que evoca tanto a tradição quanto a reinvenção. O presente é aqui convocado não como um ponto fixo, mas como um campo em permanente construção, onde o passado ressoa e se transforma.
Ao percorrer esta série, somos convidados a desacelerar, a entrar num tempo outro — mais atento, mais sensível ao detalhe e à nuance. Trata-se de um espaço de encontro, onde todos cabemos: onde a narrativa não é imposta, mas sugerida, aberta à interpretação e à experiência individual. O trabalho sobre presença — sobre o corpo que desenha, o gesto que persiste e o olhar que, ao acompanhar esse movimento, também se transforma.
Engrácia Cardoso, Lisboa, 13 de Abril de 2026

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erva daninha – semente inquieta, Coimbra, 2025/26

A natureza tem sido uma presença constante e estruturante na reflexão que orienta o meu trabalho artístico. As questões ambientais, as alterações climáticas, a extinção de espécies animais e vegetais, bem como as paisagens — naturais e humanas — constituem o cerne das minhas inquietações. Interesso-me, igualmente, pelas relações afetivas e pela palavra enquanto veículo de pensamento e emoção.
É a partir deste entrelaçamento de preocupações e sensações, aliado ao prazer intrínseco do ato de desenhar, que parto para a ação criativa.
Nos últimos anos, o percurso que tenho vindo a construir conduziu-me à realização de um projeto de continuidade, centrado na viagem — nas suas nuances singulares, na sua dimensão simbólica e na paisagem que dela emerge. A reflexão sobre o espaço e sobre as novas formas de o percecionar permitiu-me criar um contexto renovado e atribuir-lhe um novo significado, onde o olhar se torna também um gesto de reencontro e descoberta.

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Chão- rumo

Quase Galeria, Porto 2024/25

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a dança, em histórias para contar devagar

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Rumo, uma paisagem imaginada

São imagens do Chão (Terra) e do Céu (Ar) quando se elevam as formas que depois
descem ou flutuam, evoluem e param. Sob a força inestimável de plantas, insetos,
batráquios, répteis e demais seres a rastejarem, saltarem, suspensos ou a pousarem na terra.
São os reinos em que asa tartarugas sobem pela Água acima (charcos e rios grandes) e
olham o céu por cima da linha do horizonte. Mas, voltando à terra, eis a serpente que aguça
a cabeça, vendo-se o corpo sinuoso e esguio, igualmente em ascensão, circulando em redor
de folhas e caules e raízes. Há mais bichos, mas foi assim que começou o mito do Paraíso
que é também o mito da Queda. No Paraíso havia muita harmonia entre as espécies
animais e vegetais e marinhas e aéreas: uma verdadeira enciclopédia de intuições e
afinidades entre contrários. Não procuravam a coincidência dos opostos, como Nicolau de
Cusa quis, porque, na realidade, não havia qualquer necessidade disso. Pois, não havia gente
ainda, por isso, acreditava-se que não havia pensamento. parte de texto Maria Fátima Lambert

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histórias para contar de vagar

desenho pequeno de 15x11cm

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flores,2023

Ponto de vista

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Quantas Paisagens no CAAA- Guimarães

“Quantas paisagens”
Engrácia Cardoso e Délia de Carvalho. Exposição desenho e pintura, até 4 de Novembro. Centro para os assuntos da arte e Arquitetura.
Curadoria de Maria Luís Neiva

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O tempo para fazer nascer

O tempo para fazer nascer
É do amor pela natureza que produzimos quando unificamos os elementos dispersos do mundo sensível, na expectativa de os elevar a um nível superior de realidade.

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A Salto, registos

Olhar a paisagem com incerteza deu-me a possibilidade de pensar numa memória gráfica e textual, num percurso ao longo do qual vão sendo mapeadas as transições entre os estados ambíguos da paisagem e dos espaços habitados. Os desenhos consistem em registos livres, numa primeira fase eram esboços rápidos e também registos detalhados de plantas silvestres. A escolha da sobreposição e dos papeis rasgados permitem uma paisagem descontrolada, confusa, de certo modo caótica é ao mesmo tempo mais próxima do natural.

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